Clínica de reabilitação dependentes químicos

Clínica de reabilitação dependentes químicos
Clínica de reabilitação dependentes químicos

A palavra reabilitar vem do latim rehabilitare, que significa tornar-se novamente capaz, apto. Historicamente, esse termo começou a ser usado com um sentido mais social e jurídico, se referindo à reintegração de alguém a um status, função ou posição anterior. Com o tempo, o campo da saúde começou a adotar a “reabilitação”, principalmente devido às grandes guerras, quando a necessidade de recuperar capacidades físicas e psíquicas das pessoas e voltar a integrá-las à vida cotidiana começou a aumentar.  

Hoje, entendemos a reabilitação como um conjunto de intervenções para otimizar o funcionamento e reduzir limitações, ajudando a pessoa a retomar a vida com independência.

O processo de reabilitação

A OMS (Organização Mundial da Saúde) define a “reabilitação” como “um conjunto de intervenções para otimizar o funcionamento e reduzir a incapacidade, considerando também o ambiente onde a pessoa vive”. Na prática, isso é um processo com etapas diversas que aparecem, com variações, em diferentes áreas da saúde.

Esse processo tende a acontecer assim:

  1. O paciente passa por uma avaliação para entender o que está acontecendo (sintomas, riscos, contexto) e definir os objetivos do tratamento.
  2. Traça-se um plano individual do que vai ser feito para aquele paciente.
  3. Estabilização: momento de reduzir o risco e recuperar o mínimo de segurança física e emocional para a pessoa conseguir participar do tratamento.
  4. Reconstrução de hábitos e capacidades: sono, autocuidado, comunicação, manejo de estresse, retorno às responsabilidades.
  5. Reintegração social: retomar a vida em sociedade com suporte e ajustes.

O processo de reabilitação muitas vezes vai além da alta. É um acompanhamento contínuo.

A reabilitação de dependentes químicos

A dependência química é uma doença que “desabilita” seu usuário, influenciando diretamente no funcionamento do cérebro e no funcionamento da vida. A ciência descreve a dependência como um transtorno crônico e recorrente, marcado pela busca e uso compulsivos de uma substância, apesar das consequências, associado a mudanças funcionais em neurotransmissores de recompensa, estresse e autocontrole.

Clinicamente, o que diferencia “uso” de “transtorno por uso de substância” é o impacto: a pessoa passa a ter sinais como perda de controle, craving (conhecido também como fissura, uma vontade incontrolável), gastar muito tempo buscando/recuperando do uso, abandono de atividades importantes, manutenção do uso mesmo com problemas sociais e de saúde, além de tolerância e abstinência.

Reabilitar uma pessoa dependente significa ajudar a pessoa a recuperar, de forma estruturada, capacidades que foram ficando comprometidas: autonomia, estabilidade emocional, rotina, vínculos, saúde e tomada de decisão. E, muitas vezes, inclui também orientar a família e servir de suporte em todo o período de recuperação.

O papel da clínica de reabilitação para dependentes químicos

Uma clínica de reabilitação é especializada no tratamento e recuperação de pessoas que enfrentam a dependência de substâncias químicas. Elas funcionam como um ambiente de cuidado estruturado para que a pessoa consiga fazer algo que, sozinha, não está conseguindo manter: estabilizar o corpo, organizar a mente, viver sem o uso da substância e voltar à rotina.

O trabalho das clínicas passa, primeiro, por uma avaliação completa e definição do nível de cuidado. No primeiro momento, entram avaliações como:

  • padrão e intensidade do uso (substância, frequência, misturas);
  • sintomas de abstinência e riscos físicos;
  • sintomas psicológicos/psiquiátricos associados (ansiedade, depressão, trauma, bipolaridade…);
  • riscos imediatos (violência, autoagressão, surtos, impulsividade);
  • rede de apoio e condições em casa (ambiente seguro ou cheio de gatilhos).

O caminho (se é necessário apenas o nível ambulatorial, intensivo ou internação) pode mudar completamente baseado nessa avaliação, sempre priorizando a segurança do paciente.

Com um foco em oferecer um processo terapêutico completo e multidisciplinar, o Grupo Domingues conta com profissionais como psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais em todas as suas clínicas. Os tratamentos variam desde a desintoxicação até o acompanhamento psicoterapêutico e atividades que promovem o bem-estar e a reintegração social. O objetivo principal é proporcionar um ambiente seguro e propício para a recuperação, preparando o paciente para retomar sua vida com saúde e autonomia, longe das dependências.

Níveis de cuidado que podem ser oferecidos

Existem cuidados diferentes dependendo do tipo de ajuda que o dependente químico precisa, desde o nível ambulatorial, que não necessita internação, até a internação compulsória, que envolve a decisão de um juiz.

Tratamento ambulatorial

É indicado quando há mais estabilidade e segurança em casa. Composto por consultas regulares, terapia, grupos de ajuda, plano de rotina e reconhecimento (e extinção, se possível) de gatilhos.

Funciona melhor quando existe uma rede de apoio e um ambiente minimamente protegido.

Tratamento intensivo (maior frequência e suporte)

Indicado para quem precisa de mais estrutura do que a ambulatorial, mas nem sempre exige internação. Nesse modelo o paciente precisa de mais sessões por semana, para um acompanhamento mais próximo do tratamento, e possíveis intervenções rápidas caso apresente sinais de risco.

Internação

Se existe risco à integridade física do dependente e/ou das pessoas à sua volta e instabilidade constante, a internação é o suporte ideal, pois acompanha o paciente 24 horas e oferece a segurança necessária para passar pelo tratamento completo.

Esse modelo é indicado se existe:

  • abstinência forte ou perigosa,
  • recaídas repetidas apesar das tentativas de parar,
  • desorganização grave,
  • crises psiquiátricas relacionadas (crise de ansiedade, bipolaridade, etc),
  • um ambiente familiar inseguro, instável e não indicado.

Existem tipos de internação, também. Durante a avaliação do paciente, os médicos responsáveis na clínica irão definir qual o melhor plano de ação a seguir. Se existe muita resistência por parte do dependente, a família pode buscar orientação profissional para entender quais caminhos são possíveis e seguros, incluindo, quando necessário e dentro do que a lei prevê, a internação involuntária (sem consentimento do paciente, a pedido da família ou responsável legal) e a internação compulsória (determinada por decisão judicial), sempre com foco em proteger a saúde e a integridade do paciente e de todos ao redor.